Caboclo da Lua 40cm

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Imagem de Caboclo de 40cm feita em gesso cerâmico.

Caboclo Lua e Sol Vim de um lugar onde a água corre e não tem grandes árvores. Era um campo com rio e pequenas montanhas. Nossa Tribo era isolada e uma das últimas a ter contato com homem branco. Sou da mesma tribo do Caboclo da Cachoeira, trabalho na mesma falange. Nossa tribo ficava na região, que atualmente é a área do Mato Grosso do Sul. Sou Caboclo que vive em Montanha Pequena. É importante que saibam que Caboclo fuma porque para o índio, o fumo é um remédio, é estimulante e é puro. O caboclo põe no fumo muitas ervas e usa o fumo por alegria. Antigamente, na roda de fumo se conversava, planejava defesas, falava da família e das decisões necessárias para a tribo sobreviver e sustentar todos. O fumo não faz mal. O que faz mal é o excesso. Qualquer excesso é ruim, inclusive o excesso de alegria e o excesso de tristeza. A vida na tribo era sofrida, tínhamos poucos recursos para alimentação, higiene e moradia, mas a vida era vivida com alegria. As índias começavam a ter filhos a partir dos 15 anos e quando tinham 30 anos, não queriam saber mais de filhos. As crianças por sua vez, sofriam pela falta dos recursos e aconteciam muitas mortes nos primeiros anos de vida. O índio vivia até seus 40 anos e morria quando era para estar mais forte e mais preparado para a vida. É difícil Xangô da Montanha vir ao Terreiro, porque ele fica isolado para aprimorar seus conhecimentos, para poder aconselhar os outros que solicitam. Xangô sabe sentir a felicidade. Não pula como Oxóssi, mas sabe valorizar o que tem e respeita isso. Todos os Orixás são puros, são perfeitos. Quem não tem a perfeição são os filhos dos Orixás, pois carregam consigo seus defeitos. Desenvolver a espiritualidade é poder conhecer as energias de todos os Orixás e sua aplicação. Praticar a espiritualidade é conhecer tudo isso e sentir no coração as energias de forma pura. A espiritualidade é conhecer as energias, senti-las e o mais importante: praticá-las! Conhecer, sentir e praticar a qualidade de todos os Orixás, pois não basta conhecer e não sentir, não basta sentir e não praticar.

Texto de: Fábio